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O que configura plágio no uso de IA generativa aplicada à música?

Publicado em 8 de outubro de 2025

O que configura plágio no uso de IA generativa aplicada à música?

O que configura plágio no uso de IA generativa aplicada à música?

O uso de ferramentas de inteligência artificial generativa para compor, remixar ou transformar músicas tem ampliado as fronteiras da criação musical, e também os desafios jurídicos sobre o que constitui plágio, derivação ou violação de direitos autorais.

Na legislação brasileira, a Lei nº 9.610/1998 protege obras musicais originais e suas derivações não autorizadas. O plágio, ainda que parcial, pode ocorrer quando há a apropriação de elementos identificáveis de uma obra protegida, como trechos melódicos, arranjos característicos ou estruturas harmônicas.

Com a popularização de plataformas que geram músicas por meio de IA, como Suno, Udio e Soundraw, entre outras, torna-se cada vez mais difícil distinguir onde termina a inspiração e onde começa a reprodução indevida. Isso porque os modelos generativos são treinados com grandes volumes de dados musicais, muitas vezes extraídos de obras protegidas por direito autoral, sem autorização prévia dos titulares.

A semelhança substancial entre obras geradas por IA e composições existentes é um dos principais critérios considerados na análise de possível infração. Ainda que o conteúdo gerado não seja uma cópia literal, a replicação de trechos estilísticos, riffs reconhecíveis ou padrões melódicos específicos pode configurar obra derivada não autorizada.

Além disso, a falta de transparência sobre os bancos de dados utilizados no treinamento dos modelos levanta discussões sobre a legalidade do próprio processo de criação assistida por IA, sobretudo se as obras protegidas foram utilizadas sem licença ou remuneração.

É importante destacar que o fato de uma composição ter sido gerada por um algoritmo não exime a responsabilidade jurídica da pessoa ou empresa que utiliza a ferramenta e publica a obra, que é quem responde legalmente por possíveis violações de direitos autorais.

Diante desse cenário, artistas, produtores e empresas devem redobrar a atenção ao utilizar conteúdos criados com IA, especialmente em contextos comerciais. A revisão jurídica prévia, o uso de plataformas que oferecem bibliotecas autorizadas e a análise de similaridade sonora são medidas essenciais para mitigar riscos de litígio e garantir conformidade legal.